El Niño é confirmado e coloca Brasil em alerta; fenômeno pode ser um dos mais intensos da história

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NOAA confirma retorno do fenômeno climático El Niño e especialistas alertam para excesso de chuvas no Sul, calor intenso e possível atraso no calendário da safra 2026/27 no Brasil A confirmação oficial do retorno do El Niño voltou a colocar o agronegócio brasileiro em estado de atenção. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, confirmou nesta semana que o fenômeno climático já está oficialmente estabelecido no Oceano Pacífico Equatorial e que seus efeitos podem começar a ser sentidos no Brasil nas próximas semanas. O alerta ganha ainda mais relevância porque os modelos meteorológicos apontam um cenário de intensificação acelerada. Segundo o novo relatório divulgado pelo órgão norte-americano, existe atualmente 63% de probabilidade de o evento atingir intensidade muito forte até o fim de 2026, elevando o risco de extremos climáticos que podem impactar diretamente lavouras, pecuária, logística e planejamento da próxima safra brasileira.

tmosfera já começou a responder ao aquecimento do Pacífico De acordo com os meteorologista, a atmosfera já apresenta sinais claros de resposta ao aquecimento anormal das águas do Pacífico, indicando que os primeiros reflexos devem aparecer rapidamente sobre o território brasileiro. “Está batido o martelo. O fenômeno está de volta e os impactos já devem aparecer nos próximos meses em todo o Brasil”, afirmaram os especialista. A confirmação encerra meses de monitoramento internacional e reacende a preocupação principalmente entre produtores rurais que dependem diretamente da regularidade climática para planejamento de plantio, colheita e manejo do rebanho. El Niño: Probabilidade de evento extremo praticamente dobrou O relatório mais recente da NOAA trouxe uma mudança importante nas projeções. A chance de o El Niño atingir um nível considerado muito forte subiu de 37% para 63%, praticamente dobrando em poucas semanas. Na prática, essa classificação ocorre quando a temperatura da superfície do Pacífico Equatorial ultrapassa 2°C acima da média histórica, alterando a circulação atmosférica em escala global. Segundo Arthur Müller, os modelos atuais mostram que o aquecimento pode chegar próximo de 2,5°C, colocando este evento entre os mais intensos das últimas décadas.

ul do Brasil pode enfrentar excesso de chuvas e novos temporais Os primeiros efeitos já começam a ser observados principalmente na Região Sul, tradicionalmente uma das áreas mais impactadas pelo fenômeno. Meteorologistas projetam a formação contínua de sistemas de baixa pressão, associados a sucessivos ciclones extratropicais, cenário que deve manter o padrão de chuvas acima da média nas próximas semanas. As projeções indicam até cinco ciclones extratropicais em um intervalo de aproximadamente 15 dias, aumentando o risco de temporais, alagamentos e interrupções logísticas importantes para o agronegócio. No Paraná, por exemplo, os acumulados podem ultrapassar 200 milímetros, podendo se aproximar de 300 milímetros até o final de junho, agravando a condição dos solos que já apresentam alta saturação. Milho safrinha e feijão entram em zona de preocupação O excesso de chuva preocupa especialmente produtores que estão em fase crítica de colheita. A principal preocupação recai sobre áreas produtoras de milho segunda safra e feijão, principalmente no Paraná e parte do Mato Grosso do Sul, onde o excesso de umidade pode comprometer tanto a qualidade dos grãos quanto a entrada de máquinas no campo. “Essas chuvas podem inviabilizar os trabalhos de campo em várias regiões do Paraná”, alertou Arthur Müller. Além da perda de produtividade, atrasos na colheita costumam gerar impactos indiretos sobre armazenagem, comercialização e fluxo logístico. Centro-Oeste e Sudeste podem sofrer atraso no início das chuvas Se por um lado o Sul tende a registrar excesso hídrico, outras regiões produtoras devem enfrentar o movimento oposto. As projeções indicam redução no volume de precipitações sobre parte do Centro-Oeste, Norte e Nordeste, além de um possível atraso no estabelecimento das chuvas regulares que normalmente marcam o início do plantio da safra de verão. Segundo Arthur Müller, existe o risco de atraso no calendário agrícola da safra 2026/27, principalmente em regiões produtoras de soja e milho. “A chuva deve se firmar apenas entre o fim de outubro e o começo de novembro, com ondas de calor intensas durante setembro, o que pode prejudicar a semeadura da próxima safra”, explicou. Para produtores, isso significa necessidade de revisão estratégica no planejamento de compra de insumos, janela de plantio e manejo das primeiras operações da temporada. Pecuária também pode sentir impactos indiretos Os reflexos do El Niño não ficam restritos apenas às lavouras. Na pecuária, o excesso de chuva no Sul pode prejudicar manejo de pastagens, dificultar transporte de animais e elevar riscos sanitários relacionados à umidade excessiva. Já em áreas do Centro-Oeste e Norte, ondas de calor mais intensas e períodos prolongados de estiagem podem afetar a qualidade das pastagens e aumentar a pressão sobre suplementação alimentar durante períodos críticos. Outro efeito observado historicamente durante episódios intensos de El Niño é a redução da ocorrência de geadas durante o inverno no Centro-Sul brasileiro. El Niño é confirmado no Brasil e risco climático pode se estender até 2027 Outro fator que começa a preocupar especialistas é a possibilidade de o fenômeno não terminar em 2026. A NOAA já monitora a chance de o El Niño se prolongar para 2027, cenário que poderia aumentar significativamente o risco de estiagens severas, queimadas e incêndios florestais, principalmente em estados do Norte e Centro-Oeste. Para o agronegócio brasileiro, a confirmação do fenômeno reforça a necessidade de monitoramento climático constante. Depois de um período marcado por eventos extremos sucessivos, produtores entram agora em um novo ciclo que poderá exigir decisões mais rápidas, gestão de risco mais eficiente e atenção redobrada ao comportamento do clima nos próximos meses.

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