Arroba do boi gordo volta a subir e encosta em R$ 350; oferta curta mantém mercado firme

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Escrito por Compre Rural

Baixa disponibilidade de animais segue sustentando novas altas no mercado físico, enquanto exportações desaceleram e setor acompanha abertura da Coreia do Sul e impasse com a União Europeia

A arroba do boi gordo voltou a registrar valorização nesta terça-feira (29), impulsionada pela escassez de animais prontos para abate e pela dificuldade dos frigoríficos em alongar suas escalas de produção. O mercado físico manteve o viés de alta nas principais praças pecuárias, enquanto o mercado futuro apresentou leve correção após a forte valorização dos últimos dias. Segundo levantamento da Agrifatto, São Paulo liderou os reajustes do dia, com avanço de 1,25%, elevando a cotação média da arroba para R$ 349,06. Na B3, entretanto, prevaleceu a realização de lucros. O contrato do boi gordo com vencimento em setembro de 2026 recuou 0,44%, encerrando o pregão cotado a R$ 350,95 por arroba.

Oferta restrita continua sustentando as altas

O principal fator de sustentação do mercado permanece sendo a baixa disponibilidade de bovinos terminados. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, continuam sendo registrados negócios acima das referências médias, reflexo da necessidade de compra por parte dos frigoríficos. As escalas de abate seguem relativamente curtas, atendendo entre cinco e sete dias úteis na média nacional, situação que mantém o mercado favorável aos pecuaristas. Segundo Iglesias, dois fatores serão decisivos para o comportamento da arroba nas próximas semanas: a evolução das escalas de abate e o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina. As referências médias desta terça-feira ficaram em:

São Paulo: R$ 348,42/@ Goiás: R$ 328,75/@ Minas Gerais: R$ 325,29/@ Mato Grosso do Sul: R$ 334,09/@ Mato Grosso: R$ 324,32/@

Varejo ainda lento, mas expectativa melhora para o fim da semana

Apesar da firmeza no mercado pecuário, o consumo doméstico ainda apresenta ritmo moderado. Segundo a Agrifatto, tanto o varejo quanto o atacado com osso iniciaram a semana com baixo volume de negociações. A expectativa é que o cenário comece a mudar a partir de quinta-feira, impulsionado pela virada do cartão de crédito e pelo pagamento dos salários do funcionalismo público. Caso essa retomada do consumo se confirme, distribuidores deverão voltar às compras de reposição entre quinta e sexta-feira, favorecendo a manutenção das cotações da carne bovina. Ainda assim, a definição dos preços dependerá principalmente da evolução das escalas de abate, que continuam apertadas em razão da valorização da arroba.

Exportações perdem ritmo em julho

Enquanto o mercado interno permanece firme, as exportações brasileiras de carne bovina desaceleraram ao longo de julho. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, até a quarta semana do mês, o Brasil embarcou 195,21 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 10,85 mil toneladas, volume 9,91% inferior ao registrado no mesmo período de julho de 2025. Mantido esse ritmo, julho deverá encerrar com aproximadamente 249,44 mil toneladas exportadas, podendo representar o menor volume mensal de 2026. Segundo o Imea, o principal motivo para essa desaceleração foi o esgotamento antecipado da salvaguarda chinesa, que elevou as tarifas sobre novos embarques destinados ao país asiático e reduziu o ritmo das compras. Como consequência, parte dos frigoríficos exportadores reduziu a velocidade de aquisição de animais e chegou a conceder férias coletivas em algumas unidades industriais. Mesmo assim, o preço médio da carne exportada continua elevado. A tonelada foi comercializada por US$ 6.368,89, valor 14,77% superior ao observado em julho do ano passado, compensando parcialmente a redução do volume embarcado.

Coreia do Sul pode abrir novo mercado para a carne brasileira

Em meio ao cenário de menor demanda chinesa, o setor acompanha com expectativa o avanço das negociações para abertura do mercado da Coreia do Sul. Brasil e Coreia do Sul confirmaram que uma missão sanitária sul-coreana visitará frigoríficos brasileiros em agosto para concluir uma das etapas finais do processo de habilitação das exportações. O compromisso foi anunciado após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente sul-coreano Lee Jae-Myung. As negociações tiveram início em 2008 e ganharam novo impulso após encontros bilaterais realizados neste ano. Caso a abertura seja confirmada, a Coreia do Sul poderá se tornar um importante destino para a carne bovina brasileira, diversificando os mercados de exportação em um momento de menor ritmo das compras chinesas.

União Europeia amplia tensão com embargo

Outra preocupação do setor continua sendo a decisão da União Europeia de impor restrições à carne bovina brasileira a partir de 3 de setembro. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Carnes (Abiec), o embargo poderá provocar perdas de aproximadamente US$ 504 milhões (R$ 2,6 bilhões) até o fim de 2026. Caso a medida permaneça em vigor durante 2027, os prejuízos poderão ultrapassar US$ 1 bilhão. O bloco europeu alega que o Brasil ainda não possui um sistema de monitoramento considerado suficiente para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. A Abiec rebate a justificativa e afirma que a União Europeia não encontrou resíduos de antibióticos na carne bovina brasileira. Segundo a entidade, o questionamento envolve exclusivamente os mecanismos de fiscalização e não a qualidade sanitária do produto exportado. Representantes da indústria classificam a decisão como uma medida de caráter protecionista, argumentando que a competitividade da carne brasileira aumenta a concorrência com os produtores europeus. O governo brasileiro apresentou um novo plano de fiscalização ao bloco europeu em junho e espera que o tema seja reavaliado na reunião prevista para novembro. Mesmo diante da desaceleração das exportações, a arroba continua encontrando suporte na escassez de animais terminados e na dificuldade dos frigoríficos em ampliar suas escalas de abate. No curto prazo, a combinação entre oferta restrita, expectativa de recuperação do consumo doméstico no início de agosto e a possível abertura de novos mercados externos deve continuar sendo o principal vetor para a formação dos preços da arroba do boi gordo.

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