Arroba do boi gordo reage e mercado ganha novo fôlego; veja o que pode impulsionar os preços em agosto

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Escrito por Compre Rural Notícias
Foto: Marcella Pereira

Com escalas de abate ainda enxutas, oferta limitada de animais terminados e expectativa de aumento do consumo com a entrada dos salários e o Dia dos Pais, consultorias avaliam que o mercado do boi gordo inicia agosto com viés positivo, embora a chegada dos confinamentos deva limitar movimentos mais intensos de alta nas próximas semanas.

O mercado físico do boi gordo encerrou julho em um cenário bem diferente daquele observado na primeira quinzena do mês. Depois de semanas marcadas por incertezas relacionadas às exportações e pelo ritmo das compras da indústria, a arroba recuperou parte das perdas e voltou a ganhar sustentação, impulsionada principalmente pela menor oferta de animais prontos para o abate. A combinação entre escalas curtas, dificuldade de originação pelos frigoríficos e oferta restrita de bovinos terminados permitiu uma reação consistente das cotações em diversas praças pecuárias do país. Agora, o foco do mercado se volta para agosto, período tradicionalmente favorecido pelo aumento do consumo doméstico com a entrada dos salários e pelas vendas relacionadas ao Dia dos Pais.

Na avaliação das principais consultorias que acompanham diariamente o setor, o momento é de maior equilíbrio entre oferta e demanda, embora o avanço gradual dos confinamentos deva impedir movimentos explosivos de valorização da arroba ao longo do mês.

Oferta enxuta segue dando sustentação ao mercado do boi gordo

Segundo análise da Safras & Mercado, julho foi marcado por uma oferta mais restrita de animais terminados, fator que dificultou a composição das escalas de abate da indústria frigorífica e fortaleceu os preços do boi gordo em praticamente todo o mês. Mesmo com um ritmo mais lento das exportações de carne bovina — consequência do esgotamento antecipado da cota brasileira destinada à China — a redução da disponibilidade de animais prontos compensou parte dessa pressão e permitiu a recuperação das cotações. A expectativa da consultoria é que agosto apresente um mercado mais equilibrado, à medida que os primeiros lotes de confinamento comecem a chegar ao mercado.

Mercado interno pode ser o principal combustível de agosto

Na visão da Agrifatto, a demanda doméstica tende a assumir papel ainda mais importante nas próximas semanas. A consultoria destaca que o início de agosto reúne dois fatores tradicionalmente favoráveis ao consumo de carne bovina:

entrada dos salários na economia;

aumento das compras para o Dia dos Pais.

Esse ambiente já começou a aparecer no atacado, que registrou duas semanas consecutivas de reajustes positivos, refletindo maior movimentação do varejo. Apesar disso, a Agrifatto observa que os negócios continuam relativamente pontuais, especialmente em São Paulo e no Paraná, onde foram registrados lotes negociados ao redor de R$ 355 por arroba para o boi gordo e R$ 340 por arroba para novilhas terminadas. Ainda assim, esses preços não representam, por enquanto, uma referência consolidada para todo o mercado.

Escalas continuam relativamente curtas

Outro fator acompanhado de perto é o comportamento das escalas de abate. Conforme levantamento da Agrifatto, a média nacional permanece entre cinco e seis dias úteis, indicando que os frigoríficos ainda não conseguiram ampliar significativamente suas programações de compra. Esse cenário reduz o poder de barganha da indústria e mantém suporte às negociações, especialmente quando surgem lotes maiores e com padrão-exportação.

Scot Consultoria vê mercado mais firme

Levantamento da Scot Consultoria mostra que, no encerramento de julho, o boi gordo destinado ao mercado interno paulista permaneceu cotado em R$ 348 por arroba, enquanto o chamado boi-China foi negociado em R$ 350 por arroba. A consultoria ressalta que, embora a oferta esteja um pouco maior do que nas semanas anteriores — reflexo da recente valorização dos preços — ela continua longe de representar excesso de animais. Outro ponto destacado é que frigoríficos seguem pagando melhores valores por lotes completos, enquanto ofertas pequenas tendem a encontrar menor poder de negociação.

Julho marcou uma virada importante no mercado

Depois de uma primeira metade do mês pressionada pelas dúvidas envolvendo o mercado chinês, a segunda quinzena apresentou uma mudança significativa de direção. Segundo a Scot Consultoria:

o boi gordo acumulou valorização de aproximadamente 3,9% em julho;

o boi-China avançou cerca de 2,9%;

vacas e novilhas também encerraram o mês em recuperação. A consultoria lembra que, após o enfraquecimento temporário das compras da indústria, houve melhora no giro da carne no atacado e no varejo, o que levou os frigoríficos a retomarem aquisições mais ativas. Ao mesmo tempo, muitos pecuaristas reduziram a oferta de animais, contribuindo para restringir ainda mais a disponibilidade de gado pronto.

Exportações seguem fortes, mas em ritmo menor

No mercado externo, os embarques continuam elevados, embora abaixo do desempenho observado no mesmo período do ano passado em termos de volume diário. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que, em julho, o Brasil exportou 195,2 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, gerando receita de US$ 1,243 bilhão. O preço médio da tonelada alcançou US$ 6.368,90, registrando valorização frente ao mesmo período de 2025, enquanto o volume embarcado apresentou retração.

Boi gordo: O que esperar da arroba em agosto?

O consenso entre as consultorias aponta para um mercado ainda sustentado no curto prazo. De um lado, a oferta continua relativamente ajustada e o consumo doméstico tende a ganhar força ao longo da primeira quinzena de agosto. De outro, a chegada gradual dos animais oriundos dos confinamentos deve aumentar a disponibilidade de boi terminado e reduzir parte da pressão altista observada nas últimas semanas. Assim, o cenário mais provável é de manutenção de preços firmes, com oscilações pontuais entre regiões e negociações dependendo da qualidade dos lotes, do padrão de exportação e da necessidade imediata de compra dos frigoríficos. Para o pecuarista, o momento continua exigindo atenção às escalas, ao comportamento do atacado e às exportações, fatores que seguirão determinando o ritmo das cotações nas próximas semanas.

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