Foto: Marcella Pereira
Escalas seguem enxutas, atacado reage na semana do Dia dos Pais e consultorias apontam ambiente favorável para novas altas; negócios pontuais acima da referência do mercado do boi gordo já aparecem em São Paulo e no Paraná.
O mercado do boi gordo voltou a ganhar força nesta semana e reforçou a percepção de que o segundo semestre começa com um cenário mais favorável ao pecuarista. A combinação entre oferta restrita de animais terminados, escalas de abate curtas, consumo doméstico aquecido e expectativa positiva para o varejo elevou as cotações em diversas regiões do país. Embora a referência paulista permaneça na faixa de R$ 352 a R$ 355 por arroba, frigoríficos já realizaram negócios pontuais entre R$ 360 e R$ 370/@ em São Paulo e no Paraná, evidenciando que a disputa por lotes de melhor qualidade começa a se intensificar.
Consumo interno volta a puxar o mercado
Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, o movimento de valorização continua sustentado principalmente pelas escalas de abate, que permanecem entre cinco e seis dias úteis na média nacional. Além disso, o mercado atacadista registrou novas altas impulsionadas pelo aumento da demanda na semana que antecede o Dia dos Pais, período tradicionalmente favorável ao consumo de carne bovina. A entrada dos salários na economia também contribuiu para fortalecer as vendas no varejo.
Agrifatto vê fundamentos sólidos para novas valorizações
A Agrifatto também identifica um ambiente positivo para a arroba. Segundo a consultoria, a valorização ganhou consistência graças à combinação de três fatores principais: oferta reduzida de animais terminados durante a entressafra; recuperação do consumo doméstico de carne bovina; desempenho favorável das exportações, mesmo com a menor participação recente da China nas compras. A consultoria destaca que os negócios realizados entre R$ 360 e R$ 370/@ ainda são pontuais e envolvem pequenos volumes, razão pela qual ainda não alteram oficialmente as referências de mercado. Ainda assim, demonstram que frigoríficos já aceitam pagar prêmios por lotes específicos.
Mercado físico segue firme
Levantamento da Safras & Mercado aponta as seguintes referências médias:
São Paulo: R$ 352,17/@
Mato Grosso do Sul: R$ 341,82/@
Minas Gerais: R$ 335,29/@
Goiás: R$ 333,93/@
Mato Grosso: R$ 332,42/@
Na avaliação do mercado, essas referências tendem a continuar sendo pressionadas para cima caso a oferta permaneça restrita ao longo das próximas semanas.
Atacado confirma melhora da demanda
Outro sinal importante vem do atacado. Os principais cortes bovinos registraram valorização durante a semana:
quarto dianteiro: R$ 21,50/kg;
quarto traseiro: R$ 27,00/kg;
ponta de agulha: R$ 20,00/kg, mantendo estabilidade.
Para Iglesias, esse movimento é típico do período de maior consumo, mas pode perder parte da intensidade após o Dia dos Pais. Mesmo assim, o analista ressalta que a carne bovina continua competitiva frente a outras proteínas, sustentando um ambiente relativamente positivo para o setor.
Exportações continuam dando suporte
Apesar da redução das compras chinesas em julho, outros destinos continuam absorvendo volumes importantes da carne bovina brasileira. Segundo a Safras & Mercado, a China importou cerca de 82 mil toneladas de carne bovina in natura no período, o menor volume dos últimos meses. Em contrapartida, mercados como os Estados Unidos apresentaram desempenho positivo, ajudando a manter um bom resultado das exportações brasileiras.
Mercado futuro acompanha o otimismo
Na B3, o contrato do boi gordo com vencimento em agosto de 2026 encerrou cotado a R$ 348,75/@, registrando o terceiro pregão consecutivo de alta, reflexo das expectativas positivas para o mercado físico. O conjunto de indicadores reforça uma mudança importante no humor do mercado. Depois de semanas de recuperação gradual, a arroba volta a encontrar fundamentos sólidos tanto na oferta quanto na demanda. As escalas seguem curtas, o atacado reage, o consumo interno ganha força e já surgem negociações acima das referências oficiais, com operações entre R$ 360 e R$ 370 por arroba.
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