Oferta mais curta de animais terminados limita a pressão da indústria e abre espaço para negócios acima das referências; em São Paulo, boi gordo está em R$ 342/@ e mercado olha para setembro
O mercado do boi gordo encontrou um ponto de resistência nesta quinta-feira (27). Depois da pressão baixista observada nos últimos dias, as cotações apresentaram estabilidade em importantes praças e até recuperação em alguns mercados, enquanto a oferta mais restrita de animais terminados começa a dificultar novas tentativas de redução dos preços. O cenário ainda está longe de representar uma virada definitiva. Os frigoríficos continuam cautelosos nas compras, favorecidos pelo consumo doméstico enfraquecido e por escalas relativamente confortáveis em algumas unidades. Por outro lado, a entressafra reduz a disponibilidade de boiadas prontas, criando um limite para a estratégia de compra da indústria.
Boi gordo volta a mostrar reação nas principais praças
Levantamento da Safras & Mercado mostra movimentos positivos em algumas regiões. Em São Paulo, a cotação média passou de R$ 341,67 para R$ 342,08 por arroba. Goiás avançou de R$ 332,50 para R$ 333,57/@, enquanto Mato Grosso do Sul saiu de R$ 335,89 para R$ 336,84/@. Minas Gerais seguiu na direção contrária, recuando de R$ 334,76 para R$ 332,65/@, enquanto Mato Grosso permaneceu estável em R$ 326,35/@. Na referência da Scot Consultoria para São Paulo, o boi gordo comum permaneceu em R$ 342/@ e o chamado “boi-China” em R$ 344/@, considerando valores brutos e a prazo. A consultoria registrou estabilidade depois de três dias consecutivos de queda no mercado paulista.
Oferta curta começa a limitar pressão dos frigoríficos
A disputa entre uma demanda enfraquecida e uma oferta menor de animais terminados é atualmente um dos principais fatores na formação dos preços. Segundo a Agrifatto, os frigoríficos seguem comprando praticamente apenas o necessário para os abates mais próximos e continuam testando preços menores em diferentes regiões. A resistência dos pecuaristas, porém, reduziu o volume de negócios nos patamares mais baixos. As escalas de abate atendem, em média, sete dias úteis no País, conforme a consultoria. Em unidades que precisam completar a programação, já aparecem negócios pontuais acima das referências. Esse é justamente o fator que pode impedir uma queda mais generalizada da arroba. Se a oferta continuar enxuta, os frigoríficos podem encontrar dificuldade crescente para alongar as escalas, aumentando novamente o poder de negociação do pecuarista. A Agrifatto avalia que esse quadro pode contribuir para maior sustentação das cotações nas primeiras semanas de setembro, período em que o consumo interno tende a receber o estímulo do pagamento dos salários.
Estados Unidos mexem com expectativas, mas efeito ainda é limitado no físico
Outro elemento entrou no radar dos agentes: a decisão norte-americana de isentar 300 mil toneladas de carne bovina, especialmente cortes do dianteiro destinados à produção de hambúrgueres. Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, avalia que a notícia ainda não provocou alteração incisiva nas negociações físicas. A reação foi mais evidente nas expectativas do mercado, enquanto os frigoríficos calculam a viabilidade de ampliar os embarques aos Estados Unidos. Ou seja, a notícia externa melhora a perspectiva para a carne brasileira, mas não significa automaticamente uma disparada da arroba no curto prazo. Para que isso aconteça, será necessário acompanhar quanto dessa nova oportunidade efetivamente se transformará em demanda adicional pela matéria-prima.
Atacado ainda segura uma recuperação mais forte
Do lado negativo, o mercado doméstico continua sendo um obstáculo. A Safras & Mercado aponta demanda pouco aquecida no atacado, com o período de fim de mês reduzindo o estímulo ao consumo e proteínas concorrentes, como carne suína, frango e ovos, disputando espaço com a carne bovina. O quarto traseiro foi indicado em R$ 26/kg, o dianteiro em R$ 20/kg e a ponta de agulha em R$ 18,80/kg.
Setembro pode definir se a reação ganha força
O mercado chega ao fim de agosto em uma situação de equilíbrio delicado. A indústria ainda tenta comprar mais barato, mas encontra pecuaristas menos dispostos a negociar e uma disponibilidade limitada de animais terminados. Para o produtor, portanto, o comportamento das escalas passa a ser um dos indicadores mais importantes. Caso elas encurtem e o consumo melhore na virada do mês, a pressão baixista pode perder ainda mais força. Por enquanto, a recuperação observada em algumas praças representa uma trégua e um sinal de resistência da arroba, e não ainda uma tendência consolidada de alta.
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