Boi gordo já supera os R$ 350/@ e abre a semana com expectativa de novos avanços Compre Rural Notícias

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Mercado físico mantém preços sustentados nas principais praças pecuárias, enquanto o boi futuro acima de R$ 380/@ aumenta a expectativa para a arroba; oferta de animais terminados, escalas dos frigoríficos e exportações entram no radar.

O boi gordo abre uma nova semana com cenário de firmeza no mercado físico e expectativa positiva para os preços da arroba. Em São Paulo, referências já superam os R$ 350/@, enquanto outras importantes praças pecuárias encerraram os últimos negócios com estabilidade e sustentação das cotações. Embora os frigoríficos ainda não demonstrem uma necessidade generalizada de elevar as ofertas pela boiada, o comportamento do mercado futuro adicionou um ingrediente importante às expectativas. Os contratos do boi gordo chegaram a superar R$ 380/@, ampliando consideravelmente o prêmio em relação ao físico e sinalizando que os agentes enxergam possibilidade de um mercado mais apertado adiante. Para os próximos dias, o comportamento das escalas de abate, a disponibilidade de animais terminados e o desempenho das exportações serão fundamentais para determinar se essa expectativa começará a aparecer com maior intensidade nas negociações do mercado disponível.

Arroba supera os R$ 350 em São Paulo

No levantamento do Indicador do Boi Datagro apresentado no fechamento da semana, São Paulo registrou preço médio de R$ 350,01/@. Mato Grosso do Sul apareceu logo atrás, com R$ 347,91/@, enquanto Minas Gerais registrou R$ 342,41/@. As demais referências foram de R$ 342,03/@ em Tocantins, R$ 337,97/@ em Goiás, R$ 337,84/@ no Pará, R$ 334,70/@ em Mato Grosso, R$ 334,17/@ na Bahia e R$ 329,38/@ em Rondônia. Já a Scot Consultoria trabalhava com referência de R$ 345/@ para o boi gordo sem padrão-exportação em São Paulo, enquanto o chamado “boi-China” estava cotado em R$ 350/@, em valores brutos e a prazo. As diferenças entre as referências decorrem das metodologias e condições comerciais consideradas em cada levantamento. O quadro mostra um mercado físico ainda sem disparada generalizada, mas com preços sustentados e referências importantes trabalhando ao redor ou acima dos R$ 350/@.

Frigoríficos ainda têm escalas relativamente confortáveis

Um dos fatores que impedem, por enquanto, uma alta mais intensa no físico está do lado comprador. Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, os frigoríficos de maior porte ainda trabalham com escalas de abate mais confortáveis, beneficiados pela disponibilidade de animais provenientes de parcerias e pela utilização de confinamentos próprios. Com isso, as indústrias conseguem administrar melhor as compras e evitam entrar em uma disputa mais agressiva pela boiada. Apesar desse cenário, Iglesias destaca que os agentes permanecem atentos ao ritmo das exportações e ao comportamento dos preços da carne bovina no atacado. O analista também chama atenção para o descompasso existente entre o mercado físico e o futuro, especialmente nos vencimentos mais próximos. É justamente essa diferença que aumenta a atenção sobre o que poderá acontecer com a arroba nas próximas semanas.

Boi futuro acima de R$ 380/@ aumenta expectativa

Enquanto o físico trabalha próximo dos R$ 350/@ em São Paulo, o mercado futuro já alcançou outro patamar. De acordo com análise da Scot Consultoria, os contratos do boi gordo superaram R$ 380/@, movimento associado principalmente à expectativa de oferta mais restrita de bovinos terminados no último trimestre, período de entressafra, além das perspectivas para a demanda externa. A diferença entre físico e futuro chegou, portanto, a superar R$ 30 por arroba em determinados vencimentos. Em uma boiada com animais de 20 arrobas, por exemplo, uma diferença de R$ 30/@ equivale a R$ 600 por cabeça. Isso não significa, entretanto, que o mercado físico necessariamente chegará aos mesmos níveis indicados pelos contratos. O futuro representa a expectativa dos agentes para determinada data e pode mudar conforme novas informações sobre oferta, demanda, exportações e consumo interno chegam ao mercado. Ainda assim, a distância atual é um sinal que merece atenção do pecuarista.

Oferta de boiada será decisiva para novas altas

Rodrigo de Mundo, analista da Scot Consultoria, atribui parte da valorização futura justamente à expectativa de menor disponibilidade de animais terminados no último trimestre. Esse será um dos principais pontos a acompanhar. Caso as escalas de abate comecem a encurtar e os frigoríficos encontrem maior dificuldade para preencher suas programações, a necessidade de compra pode aumentar e abrir espaço para ofertas mais altas no mercado físico. Por outro lado, a própria Scot pondera que o avanço do mercado futuro não garante que a arroba disponível chegará aos mesmos patamares. Para quem terá boiada pronta nos próximos meses, o cenário também abre espaço para avaliar estratégias de proteção de preço. Com contratos futuros negociando com prêmio relevante sobre o físico, operações de hedge podem ser consideradas conforme custos, margem e estratégia individual de cada propriedade.

Exportações entram no radar

O mercado externo continuará tendo peso importante nessa equação. Em agosto, o Brasil embarcou 195,7 mil toneladas de carne bovina in natura, volume 27,1% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Foi o pior desempenho mensal do ano em volume e a primeira vez, desde fevereiro de 2025, que os embarques ficaram abaixo das 200 mil toneladas. Apesar da retração de agosto, o acumulado de janeiro a agosto alcançou 1,9 milhão de toneladas, crescimento de 4,7% sobre igual intervalo do ano passado. Outro dado relevante está nos preços. O valor médio da tonelada exportada chegou a aproximadamente US$ 6,2 mil em agosto, avanço de 10,1% na comparação anual. Mesmo com a valorização, a queda no volume fez o faturamento recuar 19,7%, para cerca de US$ 1,2 bilhão.

O que esperar do boi gordo nesta semana?

A abertura da semana encontra, portanto, um mercado físico sustentado e um futuro claramente mais otimista. No curto prazo, o comportamento das escalas dos frigoríficos deverá continuar ditando o ritmo das negociações. Enquanto as indústrias conseguirem administrar seus abates sem grande dificuldade, movimentos bruscos de valorização tendem a encontrar resistência. Por outro lado, uma redução mais consistente da oferta de animais terminados pode alterar rapidamente essa relação, principalmente se vier acompanhada de demanda externa firme e melhora no escoamento da carne. Com São Paulo já trabalhando ao redor e acima dos R$ 350/@ em algumas referências e o futuro tendo ultrapassado R$ 380/@, o pecuarista começa a semana diante de um cenário que merece acompanhamento próximo. A expectativa é positiva, mas o gatilho para novos avanços no físico deverá vir, sobretudo, de uma eventual redução das escalas e do aumento da necessidade de compra dos frigoríficos.

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