Escrito por Compre Rural
Mercado físico segue sustentado pela baixa oferta de animais para abate, enquanto frigoríficos tentam repassar a valorização da arroba para a carne bovina
O mercado do boi gordo encerrou o mês de julho com novas altas nas principais praças pecuárias do país. A escassez de animais terminados continua sustentando as cotações da arroba, mantendo os frigoríficos em disputa pela compra de bovinos para completar suas escalas de abate. Apesar do cenário favorável ao pecuarista, a demanda doméstica ainda é vista como o principal obstáculo para uma valorização mais intensa nas próximas semanas. Segundo levantamento da Agrifatto, nesta quinta-feira (31) o destaque ficou para o Tocantins, onde a arroba registrou alta de 1,53%, sendo negociada, em média, a R$ 327,40. No mercado futuro, o movimento foi de realização de lucros. Na B3, o contrato com vencimento em agosto de 2026 recuou 0,91%, encerrando cotado a R$ 349,50 por arroba. O principal fundamento da arroba continua sendo a baixa disponibilidade de bovinos prontos para abate. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o mercado voltou a registrar negócios acima das referências médias ao longo do dia, embora as negociações tenham permanecido lentas. A região Norte concentrou os principais reajustes positivos, enquanto, no restante do país, a indústria segue encontrando dificuldades para ampliar suas escalas de abate. Na média nacional, os frigoríficos trabalham com programações entre cinco e sete dias úteis, praticamente sem evolução ao longo da semana. As referências médias desta quinta-feira ficaram em:
São Paulo: R$ 349,92/@ Goiás: R$ 329,11/@
Minas Gerais: R$ 327,35/@
Mato Grosso do Sul: R$ 335,23/@
Mato Grosso: R$ 328,11/@
ara Iglesias, a evolução das escalas de abate e o comportamento das exportações continuarão sendo os principais indicadores para definir a direção do mercado no curto prazo. Embora o mercado pecuário permaneça firme, o consumo doméstico ainda caminha lentamente. Segundo a Agrifatto, o varejo apresentou baixo volume de vendas durante toda a semana, enquanto o atacado também registrou ritmo reduzido nas distribuições. A expectativa, no entanto, é de melhora a partir dos próximos dias, impulsionada pela virada do cartão de crédito, pelo pagamento dos salários do funcionalismo público, pelo retorno das aulas e pela entrada da massa salarial na economia. Esse movimento tende a estimular novos pedidos de reposição por parte dos supermercados e açougues, favorecendo um ambiente mais aquecido para a comercialização da carne bovina.
Cepea vê demanda interna como principal desafio
Apesar do momento positivo da arroba, o Cepea avalia que existe um limite para novas valorizações. Segundo o centro de pesquisas, a oferta ajustada de animais e o bom desempenho das exportações continuam sustentando os preços do boi gordo. Por outro lado, o enfraquecimento do consumo interno dificulta que os frigoríficos repassem integralmente a alta da arroba ao mercado da carne. Com o orçamento das famílias ainda pressionado, muitos consumidores têm substituído a carne bovina por proteínas mais baratas, como frango, carne suína e ovos. Esse comportamento reduz a velocidade de escoamento da carne bovina e limita a margem das indústrias para oferecer preços ainda maiores ao pecuarista.
Boi China continua valorizado
Mesmo após o preenchimento da cota destinada ao mercado chinês, o Boi China segue apresentando valorização. Segundo a Scot Consultoria, em São Paulo tanto o boi gordo quanto o animal habilitado para exportação à China registraram alta de R$ 1,00 por arroba nesta quinta-feira. A novilha apresentou valorização ainda maior, de R$ 2,00 por arroba, enquanto o preço da vaca permaneceu estável. De acordo com a consultoria, a baixa oferta de animais continua direcionando as negociações, com frigoríficos priorizando compras para manter suas escalas de abate.
Mercado entra em agosto com fundamentos positivos
O encerramento de julho confirma um mercado sustentado principalmente pela oferta reduzida de bovinos terminados. Embora a demanda doméstica ainda imponha limites para novas altas, a combinação entre escalas curtas, dificuldade de compra por parte da indústria e expectativa de recuperação do consumo com o início de agosto mantém o cenário favorável ao pecuarista. Se o varejo reagir conforme esperado e as exportações permanecerem em níveis elevados, a arroba do boi gordo deverá continuar negociada em patamares firmes nas próximas semanas, ainda que com altas mais moderadas do que as observadas ao longo de julho.
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