Arroba reage em 9 estados e mercado do boi gordo dá sinais de retomada na entressafra

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Escrito por Compre Rural Notícias

Oferta restrita de animais terminados reduz a pressão de baixa sobre a arroba, enquanto pecuaristas resistem a vender abaixo das referências; consultorias apontam mercado do boi gordo mais firme, apesar da liquidez ainda limitada. A pressão de baixa que marcou o mercado do boi gordo nas últimas semanas começou a perder intensidade nas principais regiões produtoras do Brasil. Em pleno período de entressafra, a menor disponibilidade de animais prontos para o abate voltou a dar sustentação aos preços da arroba, levando parte das praças pecuárias a registrar valorização nesta quinta-feira (16). O movimento é acompanhado de perto pelas consultorias Agrifatto e Scot Consultoria, que convergem na avaliação de que a oferta enxuta de bovinos terminados tem limitado novas quedas, mesmo diante de um cenário ainda desafiador para a demanda, tanto no mercado interno quanto nas exportações.

Oferta reduzida fortalece o poder de negociação do pecuarista

Segundo levantamento da Agrifatto, 9 das 17 praças monitoradas apresentaram valorização da arroba. Houve altas em São Paulo, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Santa Catarina e Tocantins, enquanto as demais regiões permaneceram estáveis. Em São Paulo, a consultoria registrou avanço de R$ 5 por arroba, levando tanto o boi comum quanto o chamado “boi-China” para R$ 335/@, no prazo, ainda sem registro de ágio específico para animais destinados ao mercado chinês. Na avaliação da Agrifatto, o principal fator de sustentação continua sendo a restrição na oferta de animais terminados, típica da entressafra, que impede um movimento mais intenso de queda nas cotações.

China perde força, mas escassez de boiada compensa

Mesmo com a suspensão temporária de parte dos embarques para a China em razão do esgotamento da cota de salvaguarda e com o consumo doméstico ainda apresentando ritmo moderado, a consultoria destaca que a disponibilidade limitada de bovinos prontos para abate continua equilibrando o mercado. Ainda assim, os negócios seguem ocorrendo de forma lenta. Parte das indústrias permanece afastada das compras, enquanto frigoríficos ativos continuam tentando originar lotes abaixo das referências desejadas pelos produtores. O resultado é um mercado de baixa liquidez, marcado por uma negociação mais cautelosa entre compradores e vendedores.

Pecuaristas seguram a boiada e travam novas quedas no boi gordo A leitura da Scot Consultoria reforça esse cenário. Segundo a empresa, a maioria das mais de 30 praças acompanhadas permaneceu estável, reflexo da postura dos pecuaristas, que optam por reter os animais diante das ofertas consideradas abaixo do esperado. Com menor interesse em negociar, o fluxo de negócios diminui e o mercado entra em um compasso de espera, aguardando sinais mais claros da demanda ou novas movimentações da indústria frigorífica. Pelas referências da Scot para São Paulo:

• Boi gordo: R$ 330/@admin

• Boi-China: R$ 333/@admin

V• aca gorda: R$ 310/@admin

• Novilha terminada: R$ 322/@admin

Todos os valores são brutos e para pagamento a prazo.

Mercado futuro também reforça expectativa positiva

Outro indicativo de melhora veio da B3. Os contratos futuros do boi gordo voltaram a subir, dando sequência ao movimento positivo observado nas sessões anteriores. O contrato com vencimento em agosto de 2026 encerrou o pregão cotado a R$ 345/@, com valorização de 1,43%, refletindo a expectativa de um mercado físico mais firme nas próximas semanas.

O que esperar da arroba?

O mercado entra na segunda quinzena de julho sustentado principalmente pela escassez de animais terminados. Enquanto essa oferta permanecer limitada, a tendência é que os frigoríficos encontrem maior dificuldade para pressionar novas reduções de preço. Por outro lado, a velocidade de uma recuperação mais consistente continuará dependendo da retomada da demanda, especialmente das exportações, e do comportamento do consumo interno. Até lá, a expectativa das consultorias é de um mercado mais equilibrado, com oscilações pontuais entre as praças, mas menor espaço para quedas generalizadas.

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