Arroba chegou a R$ 360 em São Paulo no fechamento de sexta-feira; virada do mês pode fortalecer a demanda por carne, enquanto frigoríficos tentam completar as escalas de abate
O mercado do boi gordo entra nesta segunda-feira (28) com um sinal favorável ao pecuarista: a oferta de animais terminados segue limitada, e negócios acima das referências apareceram em diferentes regiões na última semana. Em São Paulo, a Agrifatto apontou R$ 360 por arroba, a prazo, no fechamento de sexta-feira (25), para o boi gordo com ou sem padrão China. A próxima semana reúne dois fatores capazes de sustentar novas negociações em alta. De um lado, frigoríficos com escalas mais curtas precisam garantir animais para o abate. De outro, a chegada de outubro pode estimular a reposição de carne entre atacado e varejo. A combinação melhora o poder de negociação de quem tem boiada pronta, embora a alta ainda dependa de negócios em volume suficiente para firmar novas referências.
Semana terminou com pressão de alta em mais praças
Segundo a Agrifatto, a arroba avançou na sexta-feira em cinco das 17 regiões acompanhadas pela consultoria: Alagoas, Goiás, Pará, Paraná e Santa Catarina. Houve também negócios pontuais acima dos preços de referência. Para a consultoria, essas operações indicam pressão de alta, mas ainda não bastam para consolidar um novo patamar em todas as praças. Os levantamentos mostram diferenças entre metodologias e tipos de animal. Enquanto a Agrifatto registrou R$ 360/@ como referência paulista, a Scot Consultoria apontou R$ 355/@ para o boi destinado ao mercado interno e R$ 360/@ para o animal com padrão China, em valores brutos e a prazo. Já a Safras & Mercado informou preço médio de R$ 359,33/@ em São Paulo no encerramento da semana. Fora de São Paulo, a Safras & Mercado registrou médias de R$ 347,86/@ em Goiás, R$ 347,35/@ em Minas Gerais, R$ 354,89/@ em Mato Grosso do Sul e R$ 334,80/@ em Mato Grosso na sexta-feira. São referências regionais da consultoria e podem variar conforme localização, condições de pagamento e características do lote.
O que pode movimentar a arroba a partir de segunda-feira
A disputa por animais terminados deve continuar no centro das negociações. De acordo com Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, frigoríficos pequenos e médios enfrentam maior dificuldade para completar as escalas, o que mantém a perspectiva de reajustes no curto prazo. Indústrias maiores contam, em parte, com animais de contratos e confinamentos próprios. A Scot Consultoria observou que algumas indústrias elevaram suas ofertas no início da última semana para alongar as programações de abate. Depois de obter alguma cobertura, parte dos compradores reduziu o ritmo das aquisições diante do consumo mais fraco de fim de mês. A retomada das compras na abertura da semana será decisiva para mostrar se os negócios mais altos se espalham pelo mercado. Há também um sinal positivo vindo da carne. No levantamento da Safras & Mercado, o atacado fechou a semana com altas: o quarto dianteiro chegou a R$ 21,50/kg, o traseiro a R$ 28,00/kg e a ponta de agulha a R$ 20,00/kg. A virada do mês pode favorecer a reposição no varejo, embora a concorrência de outras proteínas, especialmente o frango, limite a intensidade dos reajustes. Para o pecuarista, o cenário de abertura é de preços firmes e possibilidade de novas altas pontuais. O sinal mais forte virá se frigoríficos voltarem às compras pagando acima das referências com frequência, sobretudo nas regiões onde a oferta de boiadas prontas permanece curta. A sexta-feira deixou pressão compradora; a segunda-feira mostrará quanto dela se transforma em preço.
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