Boi gordo abre semana com viés de alta e mercado já mira arroba acima dos R$ 360

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Oferta mais ajustada, resistência dos pecuaristas e contratos futuros acima de R$ 380/@ elevam a expectativa para os próximos dias; São Paulo encerrou a última semana com referências próximas de R$ 355/@

Foto: Marcella Pereira

O mercado do boi gordo começa uma nova semana cercado por sinais positivos para o pecuarista. Depois de uma sequência de negociações firmes e preços acima das referências em diferentes regiões, a atenção agora se volta para a capacidade das indústrias de preencher as escalas de abate diante de uma oferta mais restrita de animais terminados. O fechamento da última semana deixou um ponto de partida importante: em São Paulo, a Safras & Mercado indicou R$ 354,71/@, enquanto levantamentos da Scot Consultoria mostraram negócios a R$ 350/@, além de ágio para animais destinados à China. Na B3, contratos para os meses finais de 2026 superaram R$ 380/@, reforçando uma expectativa mais valorizada para o último trimestre.

A questão que abre esta semana, portanto, é clara: há espaço para a arroba avançar novamente? Os fundamentos observados até agora indicam que o mercado chega aos próximos dias com elementos de sustentação. Isso não garante novas altas — principalmente porque as condições variam bastante entre frigoríficos e regiões —, mas coloca R$ 360/@ novamente no radar das negociações, sobretudo nas praças mais firmes.

Boi começa a semana depois de ganhar força no físico

A última semana terminou com negociações acima das referências médias em diversas regiões. Segundo a Safras & Mercado, as indicações chegaram a:

A Scot Consultoria também identificou valorização em São Paulo, onde a arroba acumulou alta de R$ 5 em apenas dois dias, alcançando R$ 350/@, com adicional de R$ 5/@ para o chamado boi-China. É justamente esse movimento que estabelece uma base mais forte para as negociações desta semana.

Pecuarista entra nas negociações com maior poder de barganha

Um dos principais pontos a serem observados agora será o comportamento dos vendedores. Segundo a Agrifatto, os pecuaristas terminaram a semana anterior mantendo as vendas ajustadas às necessidades de caixa e resistindo às propostas abaixo das referências. A consultoria também chamou atenção para a menor disponibilidade de fêmeas em relação aos machos. Se essa postura continuar nos próximos dias, frigoríficos que precisarem alongar rapidamente suas programações poderão encontrar maior dificuldade para adquirir boiadas a preços menores. A situação, entretanto, não é uniforme. De acordo com Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, frigoríficos maiores ainda contam com escalas mais confortáveis, ajudados por animais de parceria e confinamentos próprios. Para unidades menores, a situação é mais complicada, com escalas mais curtas. É essa diferença que pode produzir um mercado bastante regionalizado no começo da semana.

R$ 360/@ entra novamente no radar

Para o produtor, provavelmente esse será um dos números mais importantes para acompanhar. Com São Paulo encerrando a semana em R$ 354,71/@ pela Safras & Mercado e negócios já próximos dessa faixa em outros levantamentos, uma eventual continuidade das altas colocaria naturalmente os R$ 360/@ no radar do mercado físico. Isso não significa afirmar que essa será a nova referência da semana. Para o preço avançar, será necessário que a oferta continue restrita e que as indústrias efetivamente precisem melhorar as propostas para completar suas escalas. Mas existe outro sinal que ajuda a explicar o otimismo: a B3 já trabalha em outro patamar.

B3 acima de R$ 380/@ reforça expectativa para o fim do ano

Os contratos futuros para os últimos meses de 2026 ultrapassaram a marca de R$ 380/@. A diferença em relação ao mercado físico é relevante. O mercado futuro não deve ser interpretado como uma garantia de que o boi chegará a esse preço. Os contratos incorporam expectativas, riscos e operações de proteção. Ainda assim, o prêmio observado na B3 mostra que os participantes estão precificando um cenário potencialmente mais valorizado adiante. E existe fundamento relacionado à oferta por trás dessa leitura. Segundo Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria, dados levantados pelo Cepea indicaram queda de 14,4% no confinamento de bovinos em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado. Caso essa menor disponibilidade se traduza em redução da oferta de animais terminados, o mercado poderá encontrar suporte adicional no último trimestre. China pode se tornar peça importante nas próximas semanas O mercado externo também continuará no radar. Na análise apresentada pela Scot, existe expectativa de que a China possa retomar compras em algum momento de outubro, visando a recomposição do abastecimento para 2027. É importante tratar esse ponto como expectativa da consultoria, e não como compra já confirmada. Se houver efetivamente maior demanda chinesa enquanto a disponibilidade doméstica de animais estiver mais apertada, entretanto, a exportação poderá adicionar pressão à disputa pela matéria-prima.

Carne também começou a reagir

Outro sinal deixado pelo fechamento anterior veio do atacado. O quarto dianteiro avançou R$ 1,00, para R$ 20,50/kg, enquanto a ponta de agulha ganhou R$ 0,50, chegando a R$ 19,00/kg. O traseiro permaneceu em R$ 27,50/kg. A demanda doméstica, contudo, continua sendo um ponto de atenção. A carne bovina enfrenta forte concorrência das proteínas mais baratas, principalmente do frango. Mais adiante, fatores sazonais como 13º salário, bonificações e empregos temporários são apontados nas análises como possíveis estímulos ao consumo de carne bovina.

O que pode mexer com a arroba nesta semana?

O início desta semana coloca principalmente as escalas de abate no centro das atenções. Se os frigoríficos conseguirem ampliar suas programações sem elevar as ofertas, o mercado poderá perder parte do ímpeto. Mas, se as escalas permanecerem curtas e o pecuarista continuar segurando as vendas, novos testes de preços acima das referências atuais podem aparecer. Por isso, quatro pontos merecem acompanhamento: oferta de boiadas, escalas dos frigoríficos, postura de venda do pecuarista e comportamento da demanda externa. O ponto de partida é favorável ao produtor. A arroba entra na semana sustentada, São Paulo já trabalha próximo dos R$ 355/@ e o mercado futuro acima dos R$ 380/@ mantém elevada a expectativa para os próximos meses. Agora, o mercado físico precisará mostrar se consegue transformar essa expectativa em novos degraus de preço.

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