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Foto: Marcella Pereira
Cotação do boi-China registrada na quinta-feira sustenta o destaque do mercado; escalas curtas e expectativa de consumo em novembro dão suporte à arroba.
O boi-China atingiu R$ 400 por arroba no Paraná na quinta-feira (5/11), colocando a praça paranaense acima de São Paulo no levantamento da Scot Consultoria. A valorização também alcançou Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Rondônia, onde a consultoria identificou acréscimos de R$ 2 por arroba nas referências acompanhadas. O movimento mantém o mercado pecuário sustentado pela disponibilidade limitada de animais terminados. Entretanto, a melhora no volume de negócios permitiu aos frigoríficos atender parte das necessidades imediatas, diminuindo a urgência das compras e tornando os reajustes menos disseminados.
A leitura das consultorias aponta, portanto, para um mercado ainda firme, mas com diferenças entre as regiões. A perda de velocidade das altas não representa, por si só, uma reversão dos preços: a oferta continua enxuta, enquanto a demanda de novembro e das festas de fim de ano permanece como fator de sustentação.
Paraná supera referência paulista do boi-China
Segundo a Scot Consultoria, a referência de R$ 400 por arroba para o boi-China no Paraná considera pagamento a prazo. A categoria reúne animais que atendem às exigências comerciais e sanitárias para exportação ao mercado chinês. Em São Paulo, o levantamento da consultoria indicou estabilidade na quinta-feira, em uma sessão de poucos negócios. O boi gordo destinado ao mercado interno permaneceu em R$ 387 por arroba, enquanto o boi-China foi cotado a R$ 390 por arroba. Na mesma praça, a vaca gorda ficou em R$ 360 por arroba, e a novilha, em R$ 382 por arroba. As referências paulistas são brutas e a prazo.

A Scot também identificou negócios pontuais acima das cotações indicadas. Contudo, essas operações ainda não apresentavam volume suficiente para estabelecer novas referências de mercado. Essa distinção é relevante para o pecuarista: um negócio isolado mostra uma oportunidade de negociação, mas não significa que toda a praça esteja pagando o mesmo valor.
Escalas curtas sustentam a arroba, mas compras ganham algum alívio
A oferta de boiadas segue restrita, com vendedores mantendo lotes disponíveis em busca de melhores condições, conforme avaliação da Scot. Do lado dos frigoríficos, as aquisições se concentram no necessário para sustentar a programação de abates. Em São Paulo, a consultoria apontou escalas próximas de cinco dias. A avaliação de Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, segue na mesma direção. Segundo ele, as escalas de abate estavam, de modo geral, entre cinco e seis dias úteis, refletindo a dificuldade de ampliar a cobertura das indústrias. Apesar disso, a melhora no volume negociado durante a semana reduziu parte da pressão imediata sobre os compradores. Com mais animais contratados para os próximos abates, algumas unidades passaram a ter condições de negociar com menor urgência. O resultado é um mercado em que as altas continuam possíveis, especialmente onde faltam animais, mas dependem cada vez mais da necessidade de compra de cada frigorífico.
Menor participação de fêmeas reforça atenção à oferta
Outro dado acompanhado pela Scot é a participação das fêmeas nos abates. Conforme os números parciais de outubro do Serviço de Inspeção Federal (SIF) citados pela consultoria, essa participação estava em 27,2%. Na avaliação da Scot, o resultado ajuda a explicar a disponibilidade limitada da categoria e a firmeza de suas cotações. O percentual é parcial e se refere aos estabelecimentos sob inspeção federal, devendo ser interpretado dentro desse recorte. Ainda assim, o acompanhamento da oferta de vacas e novilhas é importante para entender a concorrência das indústrias pelos diferentes tipos de animais terminados. Para o produtor, esse cenário reforça a necessidade de comparar propostas por categoria, acabamento e condições de pagamento, já que a valorização não ocorre de maneira uniforme.
Salários, 13º e festas podem favorecer o consumo de carne
Pelo lado da demanda, a Safras & Mercado mantém uma avaliação positiva para o restante de novembro. A entrada dos salários na economia tende a estimular a reposição entre varejo e atacado na primeira quinzena. Na sequência, o 13º salário e as festividades de fim de ano podem ampliar o consumo e dar suporte às negociações de carne bovina. Há, porém, um limite importante: o orçamento das famílias. Segundo Iglesias, a menor competitividade da carne bovina em relação ao frango e aos cortes suínos dificulta repasses mais intensos ao consumidor. Assim, a sustentação da arroba depende também da capacidade de escoamento da carne. Se o varejo encontrar resistência para vender a preços mais elevados, os frigoríficos podem enfrentar maior dificuldade para absorver novos aumentos no custo do gado.
Atacado mantém preços e acompanha reposição do varejo
No mercado atacadista, o levantamento apresentado pela Safras & Mercado indicou estabilidade na quinta-feira:

A expectativa é de que a entrada dos salários favoreça novas compras do varejo. A intensidade dessa reposição será um dos sinais para avaliar se a demanda conseguirá acompanhar os preços mais elevados da matéria-prima.
China continua no radar das negociações
O comportamento das compras chinesas também permanece entre os fatores acompanhados pela Safras & Mercado. Iglesias considera que uma eventual gestão da cota chinesa poderia distribuir os embarques ao longo do tempo e moderar movimentos mais agressivos de aquisição de boiadas. Trata-se de uma possibilidade mencionada na análise, sem que isso represente, neste levantamento, confirmação de uma nova medida. Para o mercado brasileiro, o ritmo das compras externas influencia a disposição dos frigoríficos exportadores em disputar animais, especialmente os lotes habilitados para mercados específicos.
O que o pecuarista deve observar nas próximas negociações
O patamar de R$ 400 por arroba no Paraná mostra a força dos lotes que atendem às exigências de exportação em uma praça com oferta apertada. Entretanto, a negociação precisa considerar o valor líquido recebido e as condições efetivas de cada proposta. Prazo de pagamento, frete, descontos, rendimento de carcaça e enquadramento do lote podem alterar o resultado da venda. Para quem tem animais prontos, também é importante comparar o possível ganho de esperar com o custo de manter a boiada e o risco de mudança nas condições locais. Nos próximos dias, a evolução das escalas de abate e a reposição de carne pelo varejo ajudarão a mostrar se a melhora recente nas compras foi apenas um alívio temporário para as indústrias ou se permitirá uma acomodação mais duradoura das cotações.
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