Oferta mais ajustada, resistência dos pecuaristas e melhora nas vendas de carne sustentam a arroba; contratos futuros já trabalham próximos de R$ 387 para dezembro
O mercado físico do boi gordo voltou a ganhar força, com negócios alcançando R$ 350 por arroba em São Paulo e valorizações também registradas em outras importantes regiões pecuárias do país. Mesmo com frigoríficos operando com escalas relativamente confortáveis, a menor disponibilidade de animais terminados e a resistência dos produtores em negociar abaixo das referências vêm sustentando as cotações. Levantamentos de Cepea, Agrifatto, Scot Consultoria e Safras & Mercado convergem para um cenário de firmeza neste início de setembro. Segundo a Agrifatto, os preços avançaram em 7 das 17 regiões monitoradas, incluindo Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pará. Em São Paulo, a consultoria apontou referência de R$ 350/@, tanto para o boi comum quanto para animais destinados à exportação.
Arroba chega aos R$ 350 em São Paulo
Dados do Cepea mostram que boa parte das negociações no mercado paulista passou a ocorrer ao redor dos R$ 350/@, após avanço de aproximadamente R$ 5/@. O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq alcançou média à vista de R$ 349,50/@, acumulando valorização de 1,5% em setembro. As escalas de abate no estado estavam, de maneira geral, entre cinco e dez dias. A Safras & Mercado também identificou negócios acima das referências médias. Conforme o analista Fernando Henrique Iglesias, frigoríficos de maior porte ainda contam com posição relativamente confortável nas escalas, beneficiados pela presença de animais de parceria e pelo uso de confinamentos próprios. Ainda assim, a arroba continua avançando. Na avaliação da consultoria, os preços médios estavam em R$ 349/@ em São Paulo, R$ 340,54/@ em Goiás, R$ 337,35/@ em Minas Gerais, R$ 345,57/@ em Mato Grosso do Sul e R$ 330,12/@ em Mato Grosso.
Pecuarista segura o gado e limita pressão dos frigoríficos
Um dos principais elementos por trás da firmeza é justamente a postura do vendedor. A Agrifatto destaca que o mercado mantém o comportamento observado desde a virada do mês, sustentado pela oferta controlada de animais terminados e pela resistência dos pecuaristas às propostas abaixo das referências. A Scot Consultoria, por sua vez, apontava o boi destinado ao mercado interno paulista em R$ 345/@, enquanto o chamado “boi-China” estava em R$ 350/@. Negócios acima dessas referências chegaram a ocorrer, embora ainda de maneira pontual. Em outras praças, o movimento também aparece. No noroeste do Paraná, o Cepea identificou reajustes positivos de até R$ 10/@, com negócios próximos de R$ 350/@. Em Três Lagoas (MS), a menor oferta elevou principalmente as cotações das fêmeas, enquanto o boi gordo permaneceu firme entre R$ 335 e R$ 340/@.
B3 já olha para uma arroba próxima de R$ 387
Se o mercado físico mostra valorização gradual, o futuro trabalha com um cenário ainda mais forte para o último trimestre. O contrato do boi gordo para dezembro de 2026 chegou a R$ 386,75/@ na B3, abrindo prêmio de R$ 36,75 em relação à referência física considerada pela Agrifatto. O movimento sinaliza expectativa de uma oferta mais apertada no fim do ano. A própria consultoria pondera, entretanto, que o prêmio futuro não significa que o mercado físico necessariamente alcançará esse patamar, já que os contratos incorporam expectativas e podem passar por correções ao longo dos próximos meses.
Consumo começa a ajudar
Outro ponto positivo vem de dentro dos balcões. Segundo a Agrifatto, as vendas de carne bovina ao consumidor ganharam tração depois da virada do mês, favorecidas pelo retorno após o feriado e pela entrada dos salários. O atacado também apresentou melhora na reposição, especialmente para cortes do dianteiro. A Safras & Mercado igualmente observa tendência de preços mais elevados no atacado, embora ressalte que a carne bovina continua enfrentando concorrência de proteínas mais baratas, principalmente frango e ovos. No mercado paulista, o Cepea registrou ainda valorização da carcaça casada, que alcançou R$ 24,14/kg à vista, reforçando a percepção de melhora ao longo da cadeia.
Exportações seguem como peça importante
No mercado externo, o ritmo dos embarques continua no radar. Na primeira semana de setembro, o Brasil exportou 40,6 mil toneladas de carne bovina in natura, média diária de 10,1 mil toneladas. O ritmo diário ficou 29,1% abaixo do observado em setembro de 2025, enquanto o preço médio alcançou aproximadamente US$ 6,1 mil por tonelada, avanço de 9,3% na comparação anual. A combinação entre oferta mais controlada, produtor resistente à pressão de compra, recuperação gradual do consumo e expectativa de menor disponibilidade de animais na entressafra mantém o viés positivo para a arroba. O mercado ainda não apresenta uma disparada generalizada, mas os sinais deste início de setembro mostram que os frigoríficos encontram cada vez menos espaço para testar preços abaixo das referências — enquanto a B3 já precifica um último trimestre consideravelmente mais valorizado.
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