Leia mais em: https://www.comprerural.com/boi-gordo-volta-a-ganhar-forca-e-contratos-acima-de-r-380-ampliaMercado físico inicia o pós-feriado com oferta controlada e resistência dos pecuaristas, enquanto preços futuros negociados na B3 aumentam a distância em relação à arroba disponível e reforçam a expectativa de valorização no último trimestre
O mercado do boi gordo começou a semana pós-feriado com poucos negócios, mas os sinais vindos do físico e, principalmente, do mercado futuro voltaram a chamar a atenção. Enquanto frigoríficos encontram resistência para comprar animais abaixo das referências, contratos futuros já trabalham em patamares superiores a R$ 380 por arroba, abrindo uma diferença relevante em relação aos preços pagos atualmente ao pecuarista. Dados reunidos pelas consultorias Agrifatto e Safras & Mercado mostram um mercado que ainda não disparou no físico, mas começa a construir fundamentos para preços mais firmes. Em São Paulo, as referências estão próximas de R$ 350/@, enquanto outras importantes regiões pecuárias permanecem abaixo desse nível. A questão agora é justamente entender se essa diferença entre físico e futuro antecipa uma nova rodada de valorização da arroba.
Oferta controlada dá sustentação ao boi gordo
Segundo levantamento da Agrifatto, o animal macho terminado, com ou sem padrão-China, foi negociado ao redor de R$ 350/@, a prazo, no interior paulista. Nas outras 16 regiões acompanhadas pela consultoria, a média ficou em aproximadamente R$ 343,40/@. O mercado permaneceu praticamente estável nas 17 praças monitoradas, mas a leitura da consultoria é de que a combinação entre oferta controlada de animais terminados e resistência dos pecuaristas às propostas abaixo das referências começa a obrigar compradores com maior necessidade de escala a melhorar suas ofertas. Ainda assim, o movimento não ocorre de maneira uniforme. O volume negociado continua limitado e, segundo a Agrifatto, ainda não foi suficiente para provocar um alongamento expressivo das escalas de abate dos frigoríficos. Ou seja: o físico ainda trabalha de forma cautelosa, mas também encontra dificuldade para recuar.
Safras identifica negócios acima das referências
A Safras & Mercado também identificou negociações acima das referências médias na abertura da semana pós-feriado. Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria, chama atenção justamente para o descolamento entre o mercado disponível e os contratos futuros. Nas médias apresentadas pela consultoria, a arroba estava em R$ 348,75 em São Paulo; R$ 344,66 em Mato Grosso do Sul; R$ 337,86 em Goiás; R$ 337,35 em Minas Gerais; e R$ 330,08 em Mato Grosso. Para Iglesias, essa diferença pode representar uma oportunidade para o pecuarista trabalhar mecanismos de proteção de preços. O comportamento da carne no atacado e as margens da indústria, porém, seguem como pontos importantes para determinar até onde o mercado físico conseguirá avançar.
B3 coloca a arroba acima dos R$ 380
É no mercado futuro que aparece um dos sinais mais relevantes neste momento. Os contratos do boi gordo negociados na B3 avançaram pelo terceiro pregão consecutivo. O vencimento de novembro chegou a R$ 378,45/@, enquanto outros vencimentos já aparecem acima dos R$ 380/@, ampliando o prêmio em relação ao mercado físico. Na avaliação da Agrifatto, a curva futura aponta para preços mais firmes durante o último trimestre, sustentada principalmente pela perspectiva de menor disponibilidade de animais terminados, aumento sazonal do consumo no fim do ano e expectativa de retomada das compras chinesas para a formação da cota de 2027. Essa diferença é importante. Considerando a referência paulista próxima de R$ 350/@, contratos acima de R$ 380 representam um prêmio superior a R$ 30 por arroba — algo próximo de 9%. Isso não significa que o mercado físico necessariamente alcançará esse patamar, mas mostra que os participantes do mercado futuro estão precificando um cenário mais apertado para os próximos meses.
Exportações entram novamente na conta
O mercado externo acrescenta outra variável à formação dos preços. Segundo a Agrifatto, a perspectiva de ampliação dos embarques brasileiros aos Estados Unidos pode oferecer suporte adicional à arroba. Ao mesmo tempo, a consultoria aponta preocupação com a suspensão das compras pela União Europeia desde 3 de setembro, especialmente por se tratar de um destino relevante para cortes de maior valor. Já as exportações brasileiras de carne bovina apresentaram ligeira melhora no começo de setembro, com ritmo diário informado pela Safras & Mercado de aproximadamente 10,15 mil toneladas. O comportamento das exportações será particularmente importante porque uma demanda externa forte pode aumentar a competição por matéria-prima justamente no período em que a oferta de boi terminado tende a ficar mais ajustada.
O boi pode buscar R$ 380/@?
Por enquanto, o mercado físico ainda está distante desse nível. Entretanto, a combinação entre oferta restrita, resistência dos pecuaristas, prêmio elevado nos contratos futuros e demanda externa cria um cenário diferente daquele observado em momentos de pressão sobre a arroba. A confirmação de uma alta mais consistente dependerá principalmente da capacidade dos frigoríficos de alongar suas escalas, do desempenho da carne no atacado e do ritmo das exportações. O fato concreto é que o mercado futuro já colocou uma possibilidade importante sobre a mesa: enquanto o boi físico permanece ao redor de R$ 340 a R$ 350/@ nas principais referências, a B3 começa a precificar valores próximos — ou até superiores — a R$ 380/@. Para o pecuarista, essa distância merece atenção. Mais do que indicar que a arroba necessariamente chegará aos R$ 380, o prêmio do futuro mostra que o mercado já enxerga fundamentos para um boi mais valorizado no último trimestre de 2026.
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