Reino Unido decide manter compras de carnes do Brasil, informa associação

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Carne bovina do Brasil continuará a ser vendida para o Reino Unido — Foto Canva Creative Commons

Depois da suspensão da União Europeia, havia a possibilidade de os britânicos adotarem a mesma medida, por causa da regulamentação de uso de antimicrobianos no ciclo de vida das criações.

O Reino Unido decidiu não suspender suas importações de carnes provenientes do Brasil a partir de 3 setembro, diferentemente do que se espera da União Europeia, em virtude dos controles do uso de antimicrobianos na produção de carnes apresentados pelo Brasil.

Em documento obtido pelo Valor, a Associação Internacional de Comércio de Carne (IMTA) informa que, após reunião na manhã desta sexta-feira (17/07) com o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra, na sigla em inglês), foi informada de que o Reino Unido fará sua própria avaliação dos sistemas de controle de antimicrobianos adotados pelo Brasil, de forma independente do bloco europeu.

A IMTA também diz que o Reino Unido concluirá sua avaliação do novo sistema brasileiro de controle de antimicrobianos, anunciado em 1º de julho, até dezembro de 2026, quando tomará uma decisão sobre considerar o sistema brasileiro capaz ou não de garantir a rastreabilidade de antibióticos nas cadeias produtivas de frangos e bovinos.

A decisão deve levar a indústria de carnes do Brasil a intensificar a cobrança junto ao Ministério da Agricultura para que reforce as conversas com autoridades europeias, segundo uma fonte do setor.

No documento, a IMTA diz que o Defra considera que será um desafio para a cadeia de produção de carne bovina do Brasil atender ao sistema estabelecido em 1º de julho, tendo em vista a duração do ciclo de vida de bovinos, mais longa que a do de aves. Conforme a IMTA, o departamento britânico vai considerar separadamente as cadeias de aves e de bovinos.

A IMTA reporta, além disso, que caso em sua avaliação o governo britânico considere que as cadeias de aves e bovinos não conseguiram prover as garantias exigidas, a importação dos produtos pelo Reino Unido será proibida a partir de fevereiro de 2027.

A partir do ano que vem, o Reino Unido deve se alinhar totalmente às regras da União Europeia para controle de antimicrobianos, uma vez que o acordo sanitário e fitossanitário em negociação entre o bloco e o reino entre em vigor, o que está previsto para meados de 2027, diz a IMTA no documento.

A partir de então, importadores britânicos só poderão comprar carnes de países que estejam incluídos na lista da União Europeia de nações que cumprem as exigências do bloco sobre antimicrobianos e, por isso, são autorizadas a exportar àquele mercado.

Mesmo não suspendendo as importações de carnes do Brasil, o Reino Unido só exportará à União Europeia, a partir de 3 de setembro, carne proveniente de animais cuja origem sejam países autorizados a vender carnes para o bloco.

A IMTA lembrou que o banimento às exportações brasileiras de carnes a partir de setembro valerá para a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido mas faz fronteira com a Irlanda, que integra a União Europeia.

O Brasil exportou 29,98 mil toneladas de carne bovina para o Reino Unido em 2025, volume 7,3% superior ao de 2024. Já a receita cresceu 33%, para US$ 185,32 milhões.

No primeiro semestre de 2026, as exportações somaram 12,47 mil toneladas, queda de 2,9% em comparação ao volume embarcado nos seis primeiros meses de 2025. O preço médio pago pelos britânicos pela carne brasileira aumentou 24,2% no semestre, na comparação anual (17/7/26)


Fonte:https://www.brasilagro.com.br/conteudo/reino-unido-decide-manter-compras-de-carnes-do-brasil-informa-associacao.html