ID-Scan, desenvolvida na África do Sul, registra informações biométricas do animal, permitindo a individualização das informações do rebanho.
Uma tecnologia desenvolvida na África do Sul promete trazer um novo patamar de rastreabilidade, segurança e governança para a pecuária brasileira. A solução ID-Scan, especializada na identificação biométrica de bovinos por meio da captura da impressão nasal dos animais, passa a ser representada no Brasil pela DX – Data Experience, empresa com sede no Distrito Federal, escritório no Recife e que atua na integração de tecnologias e gestão de dados para diversos setores da economia.
A proposta da plataforma é criar uma base de dados com identidade digital permanente e inviolável para cada animal, utilizando características únicas do focinho bovino, região que reúne as informações biométricas do animal, de forma semelhante à biometria humana. O sistema permite registrar e consultar informações por meio de um aplicativo disponível para Android e iOS, sem necessidade de estruturas tecnológicas complexas no campo.
A solução surge em um momento em que a rastreabilidade do rebanho brasileiro ganha importância crescente diante das exigências dos mercados internacionais, especialmente relacionadas à procedência dos animais, segurança sanitária e critérios ambientais.
Segundo Alberto Borges, sócio da DX, a tecnologia chega ao Brasil para complementar os sistemas já existentes no mercado brasileiro e oferecer um nível maior de confiabilidade na individualização dos animais. “A ID-Scan complementa algo que o mercado ainda não consegue fazer de forma totalmente segura, que é a individualização do animal. Os sistemas tradicionais, como brincos e marcações, cumprem um papel importante, mas podem ser violados. A biometria do focinho é permanente e não pode ser manipulada”, afirma.
A captura da biometria é feita diretamente pelo celular. O produtor cadastra a propriedade na plataforma, associa os dados do animal e grava um pequeno vídeo do focinho bovino. O algoritmo identifica o padrão biométrico e cria um registro único na base de dados. A tecnologia não depende de internet para iniciar a operação. O representante da fazenda pode fazer a captura dos vídeos de forma off line e, mais tarde, com acesso à conexão, registrar os dados. Desta forma, contribui para inserção de propriedades que não têm cobertura completa de redes de internet.
A tecnologia amplia as possibilidades de rastreabilidade e gestão do rebanho. Entre as entregas de valor da solução estão a comprovação de origem e procedência, redução de riscos para seguradoras, fortalecimento de programas de associações e cooperativas, além da criação de uma base mais segura para operações financeiras e de crédito rural.
“Hoje, o produtor rural não consegue usar o rebanho como garantia em muitas operações financeiras justamente porque não existe um mecanismo considerado totalmente seguro para individualizar os animais. A tecnologia pode agregar uma camada adicional de auditoria e confiabilidade para o setor financeiro”, explica Borges.
A DX também atua na adaptação da tecnologia ao contexto brasileiro, incluindo articulações institucionais, integração com softwares de gestão pecuária e diálogo com entidades do agro. A empresa já mantém conversas com associações de criadores, frigoríficos, cooperativas e empresas de tecnologia voltadas ao manejo de rebanhos.
Para Borges, o interesse crescente dos frigoríficos pela rastreabilidade tende a impulsionar a adoção de soluções mais sofisticadas no Brasil. “O frigorífico negocia diretamente com mercados internacionais cada vez mais exigentes. Quanto maior a capacidade de comprovar origem, manejo e conformidade do rebanho, maior será o valor agregado da produção brasileira”, destaca.
Na África do Sul, a ID-Scan já vem sendo utilizada em iniciativas voltadas à segurança rural e rastreabilidade animal. Recentemente, a empresa participou de um teste de campo em parceria com instituições de segurança e órgãos judiciais sul-africanos, simulando um caso completo de roubo de gado, desde o furto até os procedimentos de investigação e julgamento. A ação demonstrou a capacidade das evidências biométricas resistirem ao escrutínio legal.
A expectativa da DX é iniciar, ainda em junho, os primeiros testes operacionais da tecnologia no Brasil junto a entidades e produtores rurais, marcando o início da implementação da solução no mercado nacional.